segunda-feira, 21 de julho de 2008

fiandeira de mi vida


Meus passos como meadas que fiam o destino.
Aquilo que se vê hoje é fruto do que se fez quando menino?
A modernidade da cidade,
Tem por trás esculpida, um mural de estórias
Escritas a muitas mãos que juntas se puseram a desenhar.

Vejo que assim também se dá em minha vida,
Sou o que juntos, todos me ajudaram a riscar.
Não me desfaço de minhas culpas e de meus louros
Mas confesso, fica bem mais leve o emborná.
Nem por isso me desobrigo de cada passo que ensaio
Sei que tenho papel decisivo e principal em meu roteiro,
Mas vejo sim que os que me acercam,
Precisam junto a mim querer construir e caminhar.

Nossos planos não devem por isso ser iguais,
nem ao menos parecidos,
Mas o que vejo em seu castelo deve me causar respeito,
Assombro de nobreza estarrecido.
E não há escrito em lugar algum que se fará primeiro
O que foi para mim predestinado,
Faremos tudo junto, ao mesmo tempo
Lado a lado.

Será um lugar interessante esse:
Construído com fios de passado deslumbrado,
Com perspectiva de futuro bem trançado,
Onde a meada da vida deveria chamar inteira,
Em que se anda pelo centro
e nunca pela beira.

domingo, 20 de julho de 2008

me estranho...




Tão estranho muitas vezes é ver...
Estranho mistério esse chamado foco...
A mesma coisa vista de diferentes ângulos
São mais do que diferentes, são divergentes,
Incongruentes, incompatíveis!
Mas não se trata do mesmo objeto?
Estranho são os mistérios de ver...

Estranho mistério esse chamado certeza
Hoje ela é plena e absolutamente sul
Amanhã me mostra que nunca deixou de ser norte,
Será que depois virá sudoeste?
Mas não a tinha tão plena em tudo?
Tão estranho muitas vezes é concluir...

Mais estranho muitas vezes é sentir...
nossas visões, focos, certezas
tem bússola com nome: sentir.
E conforme se move minha rosa dos ventos emocional,
Meu norte e sul se bagunçam, misturam, transformam,
Norteiam o desnorteado coração em constante mutação...
Tão mais estranho muitas vezes é viver...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Sentido...




Ver nos olhos de alguém
o sentido da criação
estar emparelhada ao Criador
em todos os momentos
do nascer do sol ao seu por.

Sentir no som de uma voz
o barulho misterioso do amor
fazer parte do mistério,
ser dele seu co-autor.

Parceria da mais linda
que entre eu e Ele se firmou
que trouxe a vida, você
Giulia minha querida flor.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

En-cruz-ilhada



momento crucial:
decido finalmente
quem sou?
quem serei?
muitas e nenhumas
são as possibilidades.
Levadas a cabo
viram nacos da nossa estória.
Se deixo passar
são somente um.
E se?
como saber?

Caminho...



Tantos tetos divididos
e durante esse tempo
o conflito era a paz.
Como explicar que o inevitável choque
configurava de imenso mesmo
a proximidade e a cumplicidade?
Não vê que a proximidade
te deu o improvável: felicidade?
Então, se queres distância,
optas pelo infeliz,
pelo acaso somente,
pelo raso, siga bem e assim.
Quero mesmo as Fossas Marianas
com peixes cegos e luz própria.
Quero a quase apinéia,
quero a perigosa aventura do dia-a-dia!
Me vi e me reconheci.
Não ficaste,
mas abriste a porta de entrada
pra chegada do meu destino.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Canção da despedida




Se assim você for
para nunca mais voltar,
tenho muito a dizer
espero poder me escutar.

Em você tanto vi,
coisas que talvez
nem mesmo a ti
tenham mostrado a tez...

Mas por hora, se fez
o abandono a que me obrigaste
meu corpo e alma fez refém:
não sei mais viver com ninguém.

Tornei-me ilha sem areia e nem mar,
presa constante do desamor,
refugiei-me em minhas palavras
desaprendi a amar.

Agora sigo, somente sigo
não vislumbro e nem quero ver.
Como os dias que seguem as noites
por não haver mais nada a fazer.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Me assusta o clima...







Tórrido o tempo que implacável, atua.
Queima com fogo forte tudo o que nasce e toca.
Todo o calor e sentimento que antes ardia,
nada mais é do que triste cinza...

Levamos a alma repleta de cadáveres
com os quais não sabemos como lidar.

Levamos a vida repleta de medos e coragens
e que não sabemos com qual, concordar.

Mas o cheiro pútrido a tudo contamina.
Vejo o grande abutre-sentimento,
ali parado, somente observando,
na esquina.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Renovação Zen



Reconstrução.
Reconstrução de mim é o que se opera agora.
Como alicerce tenho o meu passado,
quebrado em pedaços e que firmemente me conduz
ao caminho da renovação.
Os cacos do ontem são hoje a base para um futuro certo, livre, forte.
Então, vou sentar na varanda da vida
e contemplar as ondas de um destino desconhecido,
mas que tem todo o cheiro de meu.
Sentir na alma, a certeza de colher o fruto
mas viver a dúvida de qual será o seu sabor.
E assim, seguir em frente, perene
por saber que qualquer que seja sua tez, seu gosto, sua cor,
com certeza, fui eu quem o plantou.

Qual a medida do amor?




Amor e medida
qual a sua medida?
se meço, perco a saída
se saio, fico sozinha.

amor e medida
qual mais a ferida
que fere o misterioso amor?
como traçar o caminho
como construir o ninho
daquilo que não quer abrigo?

amor e medida
qual a loucura descabida
que traz amor a vida
daquele que não quer viver?

domingo, 15 de junho de 2008



Escolhas...

Todos querem alguém. Todo mundo está à procura. Mas então, porquê tanta solidão?
Nosso mundo de hoje nos dá acesso a muitas coisas diferentes. Temos acesso a muito conhecimento, temos acesso a diferentes lugares, com diversões diferentes, pessoas diferentes. E então as coisas ficam difíceis.
Cada uma dessas diferentes pessoas que encontramos nesses diferentes caminhos representa uma perspectiva diferente também de relacionamentos.Cada uma delas, completa um aspecto da nossa necessidade imediata. Mas não nos envolvemos de maneira mais profunda com nenhuma delas. E sabe por quê? Por que é arriscado.
Se temos todas estas pessoas, sem precisar escolher uma, temos uma "pseudo" relação perfeita entre nós e a unidade representada por todos os aspectos juntos. Quando escolho uma, posso não recuperar no eleito todos os aspectos positivos que neguei, dispensei com a escolha.E as possibilidades de escolha são muitas, com muitos acessos e possibilidades e de maneira não tão difícil, sem muitos obstáculos ou padrões.
Hoje todas as formas de comportamento são válidas, não há mais um padrão, um norte a se seguir.Estamos vivendo em uma época de grande estímulo e valorização do consumo. Consumimos roupas, sapatos, eletrônicos e agora: pessoas.
Há tanta "disponibilidade" das pessoas e relações, que isso também se tornou objeto de consumo.Mas se há tantas possibilidades, porquê nos queixamos de tanta solidão?
Não nos sentimos completos com esta relação que estabelecemos com múltiplos e que de alguma forma faz uma unidade?Não, não nos sentimos. Nos falta o envolvimento. Por isso nos envolvemos muitas vezes profundamente, com um praticamente estranho durante um período de muitas vezes, horas contadas. Pra depois não mais nos vermos. Então a intimidade ficou banalizada? Sim. E isso acontece por que essa pessoa faz parte de um todo que existe independentemente do indivíduo ali presente.
Conseguimos nos envolver momentaneamente com alguém de maneira profunda para depois nem lembrarmos do seu nome. Não nos envolvemos com a pessoa, mas com o reflexo da nossa necessidade. Mas isso não nos completa, pois procuramos uma unidade em uma só pessoa. Um alguém que tenha a maioria das qualidades que queremos e com quem a gente sinta que vale a pena aprofundar a relação. Mas aí vem o dilema: dispensar todos os espectros dos nossos relacionamentos? Fica a dúvida: nos relacionar profundamente com um eleito ou superficialmente com todos em busca da unidade? Acabamos optando pelo superficial. Dá menos trabalho, não exige compromissos nem abnegação. Mas a solidão continua. E seguimos com todos e com nenhum, aplacando a nossa necessidade imediata e aumentando a nossa solidão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

É preciso não esquecer nada

essa eu tomei emprestado...

"É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence."

Tu







Chegaste devagar, pé ante pé
com seu silêncio lindo e teu olhar profundo
com tuas palavras de força e fé
que dançam por sobre os papéis do mundo.

te via como amigo querido e fiel
(era o que me contavam de ti)
e confirmando em ti este papel,
te amei como amigo e sorri.

Mas então, deu-se a marcha.
avançaste se achegando a mim como mais
mostrando teu sol, tua graça
tirando meu chão, me obrigando a voar.

e hoje meu vôo acontece junto ao teu
e por isso, brilham meus olhos
e por isso sorriem mar, nuvens e céu

Mas acima de tudo,
sorri o coração em meu peito,
ri da troça do destino
que colocou em um homem-menino
tudo aquilo que me faz feliz!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Me resolvi por sonhar...

Me resolvi por sonhar,
Deixar pra lá as corrente do dia-a-dia
permitir coração e alma levitar
não mais a felicidade fugidia.

Resolvi mesmo que viver é sorrir
Que melhor ainda é o que está por vir
E que por mais e melhor que sonhe
Nada se compara ao presente
Que é o presente.

Por mais que se configure diferente
Nada mais há do que o que certo está
Em seu devido momento,
Nunca em diferente lugar.

Assim como o dia sucede a noite
E a noite nunca se aparta do dia
A vida segue em ciclos de felicidade
Ora muita, ora nem tanto
Mas com a certeza de que o pranto e o êxtase
São somente fragmentos da musica do cotidiano

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A nuvem vermelha deflagra

A nuvem vermelha deflagra
O fim do dia, a aurora.
Será que de lá de cima
Sorri da nossa existência?

Será que lá de cima,
Me analisa a forma, compara?
Tenho cara de quê?
Me pareço com algo?

Nuvem vermelha no céu,
Que de branca e alva
Foi se enchendo do rubor do fim do dia
Envergonhada talvez de sair
No melhor do espetáculo,
Ou enfurecida talvez
Por não poder comungar da boemia mundana

Queria mesmo chegar ao seu centro
Confirmar que é feita de algodão doce
Que vive pra me divertir com suas formas
E que assim como eu,
Sorri dos nossos jogos
Comunga dos meus sonhos e devaneios
Pareia minha brincadeira de viver.

Saudades de ti...

tal qual gás volátil
teu olhar penetra
e me preenche a alma.
sinto o coração túrgido
de luz, de amor...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Transitoriedade

sigo nesta realidade transitória
etapa de meu verdadeiro fim.
sigo caminhando em solidão temporária
aguardando o epílogo de mim.
carrego comigo a consciência
da não realidade do que vejo
sei que meus olhos estão cobertos
por aquilo que Maya não quer que eu veja.
mas sei também que o tempo é dono
inclusive do que de mim será
e que não me cabe muito além
de vê-lo através de meus olhos, passar.
qual o fim desta senda?
não sei... Carrego comigo única certeza
de que meu próximo minuto não me pertence
então somente caminho
como quem segue por trilhas rochosas
aguardando o próximo vislumbre
do que será de mim.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Te amo como quem ama o vento
como quem ama o sol, as estrelas,
você como astro de minha galáxia.
giramos em nossas órbitas,
com coordenadas independentes,
e em nossos eixos, abscissas e ordenadas
carregamos auto-existência e também cumplicidade.
Te amo de maneira verdadeira e única,
como somente eu poderia amar a você
e como tudo na vida, somos únicos
e por isso mesmo, iguais a tudo e a todos.
e na dança de nossos planetas e mundos,
passamos pela vida sorrindo, dançando, interagindo
bailando no infinito,
procurando compreender a incompreensão
procurando reviver a Divina missão