sexta-feira, 27 de junho de 2008

Canção da despedida




Se assim você for
para nunca mais voltar,
tenho muito a dizer
espero poder me escutar.

Em você tanto vi,
coisas que talvez
nem mesmo a ti
tenham mostrado a tez...

Mas por hora, se fez
o abandono a que me obrigaste
meu corpo e alma fez refém:
não sei mais viver com ninguém.

Tornei-me ilha sem areia e nem mar,
presa constante do desamor,
refugiei-me em minhas palavras
desaprendi a amar.

Agora sigo, somente sigo
não vislumbro e nem quero ver.
Como os dias que seguem as noites
por não haver mais nada a fazer.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Me assusta o clima...







Tórrido o tempo que implacável, atua.
Queima com fogo forte tudo o que nasce e toca.
Todo o calor e sentimento que antes ardia,
nada mais é do que triste cinza...

Levamos a alma repleta de cadáveres
com os quais não sabemos como lidar.

Levamos a vida repleta de medos e coragens
e que não sabemos com qual, concordar.

Mas o cheiro pútrido a tudo contamina.
Vejo o grande abutre-sentimento,
ali parado, somente observando,
na esquina.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Renovação Zen



Reconstrução.
Reconstrução de mim é o que se opera agora.
Como alicerce tenho o meu passado,
quebrado em pedaços e que firmemente me conduz
ao caminho da renovação.
Os cacos do ontem são hoje a base para um futuro certo, livre, forte.
Então, vou sentar na varanda da vida
e contemplar as ondas de um destino desconhecido,
mas que tem todo o cheiro de meu.
Sentir na alma, a certeza de colher o fruto
mas viver a dúvida de qual será o seu sabor.
E assim, seguir em frente, perene
por saber que qualquer que seja sua tez, seu gosto, sua cor,
com certeza, fui eu quem o plantou.

Qual a medida do amor?




Amor e medida
qual a sua medida?
se meço, perco a saída
se saio, fico sozinha.

amor e medida
qual mais a ferida
que fere o misterioso amor?
como traçar o caminho
como construir o ninho
daquilo que não quer abrigo?

amor e medida
qual a loucura descabida
que traz amor a vida
daquele que não quer viver?

domingo, 15 de junho de 2008



Escolhas...

Todos querem alguém. Todo mundo está à procura. Mas então, porquê tanta solidão?
Nosso mundo de hoje nos dá acesso a muitas coisas diferentes. Temos acesso a muito conhecimento, temos acesso a diferentes lugares, com diversões diferentes, pessoas diferentes. E então as coisas ficam difíceis.
Cada uma dessas diferentes pessoas que encontramos nesses diferentes caminhos representa uma perspectiva diferente também de relacionamentos.Cada uma delas, completa um aspecto da nossa necessidade imediata. Mas não nos envolvemos de maneira mais profunda com nenhuma delas. E sabe por quê? Por que é arriscado.
Se temos todas estas pessoas, sem precisar escolher uma, temos uma "pseudo" relação perfeita entre nós e a unidade representada por todos os aspectos juntos. Quando escolho uma, posso não recuperar no eleito todos os aspectos positivos que neguei, dispensei com a escolha.E as possibilidades de escolha são muitas, com muitos acessos e possibilidades e de maneira não tão difícil, sem muitos obstáculos ou padrões.
Hoje todas as formas de comportamento são válidas, não há mais um padrão, um norte a se seguir.Estamos vivendo em uma época de grande estímulo e valorização do consumo. Consumimos roupas, sapatos, eletrônicos e agora: pessoas.
Há tanta "disponibilidade" das pessoas e relações, que isso também se tornou objeto de consumo.Mas se há tantas possibilidades, porquê nos queixamos de tanta solidão?
Não nos sentimos completos com esta relação que estabelecemos com múltiplos e que de alguma forma faz uma unidade?Não, não nos sentimos. Nos falta o envolvimento. Por isso nos envolvemos muitas vezes profundamente, com um praticamente estranho durante um período de muitas vezes, horas contadas. Pra depois não mais nos vermos. Então a intimidade ficou banalizada? Sim. E isso acontece por que essa pessoa faz parte de um todo que existe independentemente do indivíduo ali presente.
Conseguimos nos envolver momentaneamente com alguém de maneira profunda para depois nem lembrarmos do seu nome. Não nos envolvemos com a pessoa, mas com o reflexo da nossa necessidade. Mas isso não nos completa, pois procuramos uma unidade em uma só pessoa. Um alguém que tenha a maioria das qualidades que queremos e com quem a gente sinta que vale a pena aprofundar a relação. Mas aí vem o dilema: dispensar todos os espectros dos nossos relacionamentos? Fica a dúvida: nos relacionar profundamente com um eleito ou superficialmente com todos em busca da unidade? Acabamos optando pelo superficial. Dá menos trabalho, não exige compromissos nem abnegação. Mas a solidão continua. E seguimos com todos e com nenhum, aplacando a nossa necessidade imediata e aumentando a nossa solidão.